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Basquete em Mogi

COMO TUDO COMEÇOU

Tudo começou em 1995, quando o então prefeito de Suzano, Paulo Tokuzumi, decidiu que a cidade não iria mais manter dois projetos esportivos de alto rendimento profissional ao mesmo tempo: o vôlei e o basquete. Como o vôlei vencia tudo o que disputava, o município decidiu então voltar as suas atenções somente a este esporte, encerrando as atividades no basquete, que não havia conquistado resultados importantes para Suzano.

 Porém, a empresa Companhia Suzano de Papel e Celulose, através da sua principal marca, Report, que patrocinava a equipe de basquete em Suzano, tinha como objetivo continuar apoiando o esporte da bola laranja. Com isso, através de seus diretores José Castro Brito e Rafael Parri, o Papel Report enviou uma carta para o então secretário de esportes de Mogi das Cruzes, José Carlos Miller da Silveira, o lendário professor Tuta, mostrando o grande interesse da empresa em transferir toda a estrutura e o patrocínio do basquete de Suzano para Mogi das Cruzes.

Tuta se reuniu com o prefeito mogiano da época, Manoel Bezerra de Melo, o popular Padre Melo, para tratar do assunto. Posteriormente uma nova reunião foi marcada, desta vez com a presença dos diretores do Report, a partir daí deu início a uma das maiores paixões do povo mogiano: o basquete.

Assim que o acordo foi selado, a equipe, que mandaria os seus jogos no ginásio do Clube de Campo de Mogi das Cruzes, começou a ser montada pelo professor Tuta. Para comandar o time, foi contratado o experiente e multi campeão Claudio Mortari que, além de ter dirigido várias equipes de ponta do basquete brasileiro, foi também técnico da seleção brasileira.

O primeiro time profissional de basquete de Mogi das Cruzes montado em 1995 sob o comando do técnico Cláudio Mortari foi o seguinte: armadores - Ratto, Álvaro e Espiga; alas - Caio, Chuí, Jeffty Connelly e Zé Luiz; pivôs - Gema, Sidnei, Luisão e Janjão.

A primeira partida da história do basquete profissional mogiano aconteceu em um amistoso no dia 26 de junho de 1995 contra a equipe do Clube Náutico Itanhaém, em Itanhaém. Ainda em formação, o time mogiano acabou sendo derrotado por 104 a 96. Na mesma semana, no dia 29 de junho de 95, as equipes entraram novamente em quadra. Desta vez jogando dentro de seus domínios, no ginásio do Clube de Campo, o elenco de Claudio Mortari venceu por 106 a 75, esta que foi a sua primeira vitória na história.

O MÁGICO ANO DE 1996

Em seu primeiro ano, a equipe não conquistou títulos de expressão, mas em 1996 viu-se em terras mogianas um dos maiores times da história do basquete brasileiro em todos os tempos. Com o patrocínio adjunto da lendária empresa de ônibus Eroles, o Report manteve a base do ano anterior e se reforçou com nomes de peso, como Paulinho Villas Boas, Danilo Castro, Waltinho e Pipoka, montando uma verdadeira seleção.

No mesmo ano, o time do Report/Eroles/Mogi recebeu também outro grande reforço com a inauguração do Ginásio Municipal de Mogi das Cruzes que, mais tarde, em 2006, seria batizado com o nome de Ginásio Professor Hugo Ramos, a casa do basquete mogiano.

Com uma equipe espetacular atuando no novo ginásio municipal, o grupo realizou uma campanha perfeita, que culminou com a conquista inédita do título de campeão paulista em 1996, em cima da fortíssima e tradicional equipe do Cougar/Franca.

A ERA VALTRA

Em 1997, o time passou a ter outro patrocinador adjunto, a empresa de tratores Valtra, formando o time do Report/Valtra/Mogi das Cruzes. Nomes como do pivô Tonico e do ala porto riquenho Allende foram contratados.

Com a parceria Report/Valtra, o elenco mogiano disputou as suas primeiras competições internacionais em 1997: o Pan Americano de Clubes em General Pìco na Argentina e a Liga Sul Americana.

Em 1998 o Report decidiu que o seu ciclo no basquete havia se encerrado, finalizando o seu patrocínio vencedor. Com isso, a Valtra assumiu toda a responsabilidade de manter a equipe mogiana, formando o Valtra/Mogi.

Com o time reformulado, que já não contava mais com Caio, Ratto, Janjão, Pipoka e Tonico, além do técnico Claudio Mortari, o grupo foi remontado com Danilo Castro, Márcio Azevedo, Jeffty Connelly, Luisão e Everaldo, sob o comando do ex-armador da seleção brasileira Nilo Guimarães, ídolo do basquete nacional, que notabilizou-se em nossa cidade por ser o primeiro mogiano a disputar os Jogos Olímpicos, em Los Angeles em 1984.

Com muita raça, superação e a técnica apurada de Danilo Castro e Jeffty Connelly, o Valtra/Mogi chegou à final do Campeonato Paulista de 1998, contra o poderoso Mackenzie/Microcamp/Barueri, no qual brilhavam grandes jogadores, como Oscar Schmidt, por exemplo. Em uma série muito disputada, a equipe mogiana acabou deixando a conquista escapar por apenas um ponto, na quinta partida da decisão, vencida por três jogos a dois pela equipe de Oscar.

Em 1999 o Valtra/Mogi conquistou o torneio Top Four, disputado no Ginásio Municipal de Mogi das Cruzes, batendo na decisão o então campeão Sul Americano (que posteriormente viria a ser vice-campeão mundial), o poderoso Vasco da Gama, que na época era considerado o mais forte time das Américas.  

A Valtra permaneceu patrocinando o basquete mogiano até 2002, quando o time passou a carregar somente o nome de Mogi das Cruzes em seu uniforme. Nilo Guimarães também deixou o comando técnico da equipe em 2002, dando lugar ao francano Carlos Alberto Rodrigues, o popular Carlão.

A ERA CORINTHIANS

Em 2003 o basquete mogiano uniu-se a um dos maiores clubes de futebol do mundo, o Corinthians, formando a equipe do Corinthians/Mogi. A parceria trouxe à cidade um grande time, com nomes como Farofa, Josuel, Murilo e Rogério Fernandes, além da manutenção de grandes jogadores que estavam na temporada anterior, como Fúlvio, Alírio, Paulinho Boracini e Dedé Barbosa. Sob o comando de Carlão, a equipe chegou à final do Campeonato Paulista, porém, na decisão esbarrou no forte COC/Ribeirão Preto, que na época era liderado pelos jovens Nezinho, Renato Lamas e Alex Garcia, ficando com o vice-campeonato.

Em 2004 Carlão deixou o comando do time e para o seu lugar chegou outra lenda do basquete: Edvar Simões. Dentro de quadra outros reforços vieram, como o ala Marquinhos, que iniciava a sua hoje consagrada trajetória no basquete mundial, e o lendário armador Demétrius. Com essa formação, a equipe conquistou a quarta colocação na Liga Nacional de 2004.

No início de 2005 Edvar Simões deixou a equipe e o mogiano Régis Marrelli, seu então auxiliar técnico, assumiu o time, dando início à sua vitoriosa carreira no basquete.

Após o término da Liga Nacional de 2005 a parceria entre Corinthians e Mogi das Cruzes chegou ao fim, terminando também o projeto do basquete profissional na cidade, para desespero dos mogianos.

Foram 10 anos brilhando entre as grandes equipes do Brasil e exterior.  

O RECOMEÇO

Após seis anos sem basquete na cidade, o esporte da bola laranja ganhou vida novamente em 2011. Isso aconteceu graças aos esforços do prefeito Marco Bertaiolli, do secretário municipal de esportes de Mogi das Cruzes, Nilo Guimarães, do presidente do Grêmio Esportivo Mogiano, Reiad Abdu Arabi, e do ex- jogador de basquete, Ewerton Komatsubara, que atuou como armador na época de ouro do colégio Policursos, sendo treinado pelo próprio professor Tuta. O ex-armador Danilo Castro, velho ídolo da torcida mogiana, também fazia parte da nova diretoria. O ex-pivô Gibão, único mogiano de fato campeão paulista em 1996 na época do Report/Mogi, retornava também à equipe, mas desta vez como membro da comissão técnica, atuando como mordomo.   

O recomeço foi muito complicado, com um baixo orçamento e lutando para restabelecer a confiança e o reconhecimento dos mogianos. A nova equipe batizada como Grêmio Esportivo Mogiano foi, aos poucos, reconquistando o seu lugar entre os gigantes.

O RETORNO À ELITE E ÀS COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS

Uma equipe muito jovem sob o comando do treinador Marcelo Ribeiro, o popular Marcelo Rato, tendo como auxiliar técnico o lendário professor Erasmo de Campos, fez a sua reestreia oficial visando à participação no Torneio Novo Milênio no amistoso feito no dia 19 de março de 2011 contra o São Caetano no ABC, sendo derrotado por 98 a 79. A equipe necessitava de reforços experientes e com isso foi buscar o experiente ala Edu Caviglia junto ao Pinheiros. Além de Caviglia, chegou também para a equipe o primeiro patrocinador, a Universidade Paulista. Com isso a equipe passaria a se chamar Mogi das Cruzes/Unip.

No Torneio Novo Milênio o time chegou às semifinais e conquistou a vaga na elite do Campeonato Paulista, graças a uma cesta heroica do garoto Bié, nas quartas de final contra o Americana Basketball.

Para a disputa do Campeonato Paulista, o grupo já estava mais reforçado com Gustavinho, Filipin e Thomas. No mesmo ano participou com grande aproveitamento do Amsterdã Haarlem Basketball Week [em 2002 a equipe de basquete de Mogi das Cruzes, ainda vivendo a era Valtra, foi convidada para disputar o mesmo torneio, ficando em terceiro lugar], o popular Torneio da Holanda, terminando na segunda colocação.

Em 2012, já na elite do Campeonato Paulista e com novo patrocínio, o Mogi das Cruzes/Sanifill entrou na disputa da Copa Brasil Sudeste, visando a uma vaga na Super Copa Brasil, que valia um lugar no badalado NBB (Novo Basquete Brasil). A equipe terminou na terceira colocação do torneio, batendo o Jacareí.

Na disputa da Super Copa Brasil, com sede no gigante Hugo Ramos, o Mogi das Cruzes/Sanifill fez novamente o grito do apaixonado torcedor mogiano ecoar pelo Hugão. O time chegou à decisão do torneio e, com grande atuação do pivô Thomas Gehrke, cestinha do jogo com 22 pontos, a equipe mogiana venceu o Palmeiras por 102 a 87. Em pouco mais de um ano de seu retorno, o grupo conquistava um título de âmbito nacional e ouvia nas arquibancadas do Hugo Ramos completamente lotado a seguinte frase: “Ohhh o Mogi voltou!!! O Mogi voltou!!! O Mogi voltouuuu!!!”.

No Campeonato Paulista de 2012, a exemplo do que já havia acontecido no Paulista anterior, a equipe acabou sendo eliminada nas quartas de final novamente pelo Bauru. O comando técnico foi reformulado para a disputa do NBB, saindo Marcelo Rato para a chegada do espanhol Paco García. Durante a disputa do NBB, o auxiliar Erasmo de Campos também deixava a equipe, dando lugar ao mogiano Danilo Padovani.

Em sua primeira participação no NBB, na temporada 2012/2013, o time não alcançou a classificação aos playoffs, porém permaneceu para a disputa da temporada seguinte.

No Campeonato Paulista de 2013 nova eliminação nas quartas de final, desta vez contra o Pinheiros. Porém, o melhor ainda estava por vir em sua participação no NBB 6.

Com o patrocínio da Helbor Empreendimentos Imobiliários S/A, o Mogi das Cruzes/Helbor, contando com nomes como Gustavinho, Filipin, Thomas, Toledo, Ted Bento, Babby (por boa parte da competição), Jeff Agba, Jason Smith, Sidão, Daniel Alemão entre outros, entrou na disputa do NBB 6 para fazer história. Mesmo conquistando a última vaga nos playoffs, quebrando todos os prognósticos, a equipe conseguiu um inédito e espetacular quarto lugar na competição, eliminando adversários superiores, tanto tecnicamente como também em seus orçamentos. Nas oitavas de final o time bateu o forte Pinheiros de Shamell, campeão da Liga das Américas em 2013 e vice em 2014, por 3 a 1 de virada. Nas quartas de final o Mogi das Cruzes/Helbor venceu heroicamente o badalado Limeira, também de virada, desta vez por 3 a 2. Nas duas classificações, vale a pena salientar a importância da torcida mogiana dentro e fora do Ginásio Hugo Ramos.

O elenco de Paco García só parou nas semifinais perante o quase invencível Flamengo de Marcelinho Machado, por 3 a 1, que mais tarde ficaria com o título do NBB 6. O time mogiano foi eliminado, mas mostrou aos cariocas e ao resto do Brasil que era, sim, um osso muito duro de roer. Tanto é verdade que o próprio Marcelinho Machado afirmou que, com toda certeza, a vaga na final e a conquista do título poderiam ter ficado com o Mogi das Cruzes. O quarto lugar no NBB 6 fez com que surgisse a conhecida alcunha de ‘Time de Guerreiros’ aos heróis mogianos.

Na temporada seguinte, a equipe foi reforçada. Shamell, que era algoz no Pinheiros, desta vez estava ao nosso lado. Além dele, Tyrone, Paulão, Elinho e Gerson também chegaram como reforços. No Campeonato Paulista de 2014, nova eliminação nas quartas de final, agora para o Paulistano. Mas o quarto lugar no NBB 6 fez com que o grupo voltasse ao cenário internacional para a disputa da Liga Sul Americana.

Jogando de igual para igual contra as demais equipes, o time mogiano chegou ao Final Four da competição. Na semifinal bateu ninguém menos que o tradicional Boca Juniors por 87 a 85 na prorrogação, após empate em 75 a 75 no tempo normal. Na grande decisão, o time parou no forte Bauru, que na época estava muito à frente do time mogiano, perdendo por 79 a 53. O Mogi das Cruzes/Helbor terminou com o vice-campeonato, mas mostrava a todos que o respeito havia sido retomado, pois em pouco mais de três anos o time voltava do zero para ser vice-campeão sul americano.

No NBB 7 a equipe novamente chagou às semifinais, mas acabou sendo eliminada pelo Bauru por 3 a 2 em um playoff empolgante.

No Campeonato Paulista de 2015, a equipe contava com reforços importantes, como o “Alienígena” Larry Taylor e o jovem pivô Lucas Mariano. Com uma grande campanha, na qual a equipe passou pelo poderoso Bauru nas semifinais, na série em que ficou conhecida como o famoso W.O, o time mogiano chegou à decisão do Paulistão, fato que não acontecia desde 2003. Na grande final enfrentou o São José, acabando com o vice-campeonato. A perda do título colocou fim à era de Paco García e em seu lugar ficou o seu então auxiliar técnico, Danilo Padovani.

LIGA DAS AMÉRICAS

O quarto lugar no NBB 7 deu oportunidade à equipe de uma nova participação na Liga Sul Americana, na qual novamente chegou ao Final Four, porém agora na terceira colocação. Mas o beneficiado pela desistência do Limeira em participar da Liga das Américas, somando com o título de Brasília na Liga Sul Americana de 2015, Mogi terminou como o melhor brasileiro colocado na competição (sem contar o campeão Brasília) herdando pela primeira vez em sua história uma vaga na Liga das Américas, a mais importante competição de clubes de basquete das Américas.

Em sua estreia na Liga das Américas, o time fez bonito, chegou ao Final Four, mas foi eliminado na semifinal em uma tumultuada partida contra os donos da casa, o Guaros de Lara (que mais tarde ficaria com o título da competição sobre o Bauru), por 81 a 73. Na decisão do terceiro lugar, o Mogi das Cruzes/Helbor continuou fazendo bonito, derrotando o badalado Flamengo por 73 a 71, garantindo o importante terceiro lugar e colocando definitivamente o seu nome nas competições internacionais da FIBA.

NBB 8

Na oitava edição do campeonato mais importante do basquete brasileiro, o time do Mogi das Cruzes/Helbor definitivamente mostrou que está entre as grandes forças nacionais. No NBB 8, temporada 2015/2016, o time realizou novamente uma grande campanha, não chegando à final por pequenos detalhes. Na fase de classificação a equipe fez uma grande campanha nas partidas disputadas no Ginásio Hugo Ramos, sendo derrotada apenas duas vezes. No entanto, não conseguiu a mesma média nos jogos fora de casa, o que fez com que alcançasse a quinta posição na classificação geral para os playoffs. Nas oitavas de final, o grupo enfrentou o Vitória, obtendo uma tranquila classificação por 3 a 0. Nas quartas de final, o Mogi das Cruzes/Helbor teve pela frente a forte equipe do Basquete Cearense, quarto lugar na classificação geral. Em uma série muito dura, os mogianos alcançaram a classificação por 3 a 1. O ponto alto da série aconteceu na terceira partida, disputada no Ginásio Paulo Sarasate em Fortaleza. Com um público de mais de nove mil pessoas, o Mogi das Cruzes/Helbor conquistou a vitória por 64 a 63 com uma incrível cesta de três pontos do capitão Guilherme Filipin no último segundo de jogo. Na semifinal, a exemplo do NBB 6, o adversário foi o forte Flamengo. Muitos acreditavam que seria um passeio carioca sobre os mogianos, mas provamos que não. Mogi e Flamengo fizeram uma semifinal extremamente disputada e equilibrada. A série foi tão igual que só foi definida nos segundos finais da quinta partida, realizada no Rio de Janeiro. O Mogi acabou eliminado por 3 a 2, mas provou ao Brasil que poderia tranquilamente ser o finalista da competição, com reais chances de ter eliminado o multi campeão Flamengo. 

Material produzido por André Martinez, autor do livro “Time de Guerreiros”.    

 

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